CG: E eu sou Carol Glatz, correspondente em Roma de CNS. Os atentos leitores do jornal vaticano notaram um longo artigo de 10 dias atrás assinado pelo arcebispo ortodoxo russo Hilarion, que para o Patriarcado de Moscou representa uma espécie de Ministro das Relações Exteriores. O artigo exortava o Vaticano a cooperar contra o chamado "secularismo militante", que circula na Europa; também alerta sobre o fato de que a religião está perdendo relevo público e se está fechando no “gueto” da devoção privada; e propunha, por fim, uma mais eficaz batalha contra práticas como o aborto, os matrimônio homossexuais, a eutanásia e a destruição de embriões.
JT: O arcebispo Hilarion chegou até mesmo a indicar a desobediência civil como um ato necessário quando os cristãos consideram que não desejam agir contra lei divina. E o seu agir não é uma voz de uma geração antiga. Ele tem 43 anos e é considerado um dos mais dinâmicos jovens líderes da Igreja ortodoxa russa. O aspecto interessante é que esta proposta espelha a chamada “Declaração de Manhattan”, assinada algumas semanas atrás, em Nova Iorque, por mais de 140 líderes cristãos e que convida a uma luta sem fronteiras sobre esses temas e, até mesmo, se necessário, à desobediência civil. O que emerge, portanto, è a existência de movimentos paralelos na Europa, assim como nos EUA, para combater agressivamente a secularização, e que prevêem a cooperação ecumênica.
CG: Deve-se recordar que a Igreja Ortodoxa Russa sobreviveu a mais de 70 anos de repressão comunista e que, por isso, os seus lideres podem perceber melhor quando é banida da sociedade. Como também observou o arcebispo Hilarion, o secularismo militante é tão perigo quanto o ateísmo militante. O prelado observou que, enquanto sob o regime sovietivo os seminários e as igrejas eram transformados em museus, hoje na Europa moderna os seminários estão vazios e as igrejas estão reduzidos a pub, não porque o Estado as confiscaram, mas por causa de uma drástico declínio na prática religiosa. E deram a culpa de tudo isso ao clima de intimidação contra a religião.
JT: O Vaticano ainda não respondeu formalmente ao convite dos ortodoxos russos de criar uma frente comum contra a secularização na Europa, mas durante muitos anos os representantes católicos propuseram uma colaboração ecumênica sobre essas temáticas. A semana passada, ao invés, o Vaticano sediou uma ato diplomático de grande relevo: depois do encontro entre Bento XVI e o presidente russo, a Santa Sé e a Federação Russa, de fato, estabeleceram plenas relações diplomáticas. Muitos observadores notaram que este passo jamais teria sido realizado sem a aprovação da Igreja Ortodoxa Russa.

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