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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Crônicas Vaticas: ortodoxos russos e secularização

Até pouco tempo atrás, a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa Russa se enfrentaram em uma espécie de "guerra fria" sobre as jurisdições territoriais, as propriedades e os metodo de evangelização. Mas nos últimos dois anos foram dados importantes passos ecumênicos avante, como demonstra a recente proposta ao Vaticano feita pelos ortodoxos russos a unir as forças contra a secularização na Europa. Este é o tema das Crônicas Vaticanas de hoje. Sou John Thavis, chefe de redação em Roma de Catholic News Service.

CG: E eu sou Carol Glatz, correspondente em Roma de CNS. Os atentos leitores do jornal vaticano notaram um longo artigo de 10 dias atrás assinado pelo arcebispo ortodoxo russo Hilarion, que para o Patriarcado de Moscou representa uma espécie de Ministro das Relações Exteriores. O artigo exortava o Vaticano a cooperar contra o chamado "secularismo militante", que circula na Europa; também alerta sobre o fato de que a religião está perdendo relevo público e se está fechando no “gueto” da devoção privada; e propunha, por fim, uma mais eficaz batalha contra práticas como o aborto, os matrimônio homossexuais, a eutanásia e a destruição de embriões.

JT: O arcebispo Hilarion chegou até mesmo a indicar a desobediência civil como um ato necessário quando os cristãos consideram que não desejam agir contra lei divina. E o seu agir não é uma voz de uma geração antiga. Ele tem 43 anos e é considerado um dos mais dinâmicos jovens líderes da Igreja ortodoxa russa. O aspecto interessante é que esta proposta espelha a chamada “Declaração de Manhattan”, assinada algumas semanas atrás, em Nova Iorque, por mais de 140 líderes cristãos e que convida a uma luta sem fronteiras sobre esses temas e, até mesmo, se necessário, à desobediência civil. O que emerge, portanto, è a existência de movimentos paralelos na Europa, assim como nos EUA, para combater agressivamente a secularização, e que prevêem a cooperação ecumênica.


CG: Deve-se recordar que a Igreja Ortodoxa Russa sobreviveu a mais de 70 anos de repressão comunista e que, por isso, os seus lideres podem perceber melhor quando é banida da sociedade. Como também observou o arcebispo Hilarion, o secularismo militante é tão perigo quanto o ateísmo militante. O prelado observou que, enquanto sob o regime sovietivo os seminários e as igrejas eram transformados em museus, hoje na Europa moderna os seminários estão vazios e as igrejas estão reduzidos a pub, não porque o Estado as confiscaram, mas por causa de uma drástico declínio na prática religiosa. E deram a culpa de tudo isso ao clima de intimidação contra a religião.

JT: O Vaticano ainda não respondeu formalmente ao convite dos ortodoxos russos de criar uma frente comum contra a secularização na Europa, mas durante muitos anos os representantes católicos propuseram uma colaboração ecumênica sobre essas temáticas. A semana passada, ao invés, o Vaticano sediou uma ato diplomático de grande relevo: depois do encontro entre Bento XVI e o presidente russo, a Santa Sé e a Federação Russa, de fato, estabeleceram plenas relações diplomáticas. Muitos observadores notaram que este passo jamais teria sido realizado sem a aprovação da Igreja Ortodoxa Russa.

CG: Além disso, esse passo abre à sedutora possibilidade de um encontro entre Bento XVI e o Patriarca ortodoxo russo Kirill. No mês passado, depois, os ortodoxos publicaram em russo uma coletânea dos discursos do Papa sobre a crise espiritual na Europa. Esta semana, ao invés, por parte dos ortodoxos se reiterou que não há nenhum obstáculo para um encontro entre o Papa e o Patriarca Kirill, enquanto há quem pense onde poderia ocorrer. Provavelmente não em Roma ou em Moscou, mas certamente no coração da Europa.


http://www.catholicnews.com/

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