30/04/2010 (4:01)
CG: O Papa festejou recentemente o quinto aniversário do seu pontificado, até então rico de acontecimentos. Hoje, nas Crônicas Vaticanas veremos o que o futuro lhe reserva. Sou Carol Glatz, correspondente em Roma de Catholic News Service.
JT: E eu sou John Thavis, chefe de redação em Roma de CNS. O Papa acabou de completar 83 anos, uma idade em que a maior parte dos oficiais vaticanos já se aposentou há muito tempo. Mas parece gozar de boa saúde, e não é impensável que tenha diante de si outros cinco anos ou mais. Portanto, o que devemos esperar? A curto prazo, o Papa deverá resolver dois problemas complexos. Um é o futuro dos Legionários de Cristo, uma ordem religiosa cujo seu fundador, pelo que se sabe, teve filhos e abusou sexualmente de seminaristas. Há pouco tempo, o Papa recebeu um relatório detalhado dos visitantes das instituições da ordem e, a este ponto, poderia optar por reformá-la, reorganizá-la ou inclusive suprimi-la. Para muitos, se trata de um momento importante para o Papa, porque determinará as conseqüências administrativas e pastorais dos abusos sexuais.
CG: Outro problema diz respeito às negociações em andamento com a Fraternidade São Pio X, os seguidores tradicionalistas do Arcebispo Marcel Lefebvre. No ano passado, o Papa retirou a excomunhão a quatro bispos da Fraternidade, enquanto em outubro recomeçaram os encontros regulares para se chegar a uma plena reconciliação. As negociações não são fáceis, porque a Fraternidade esclareceu que ainda não aceita alguns ensinamentos do Concílio Vaticano II. Com base nas nossas fontes, até o momento as negociações não deram frutos. A pergunta aqui é: até quanto o papa terá paciência para esperar?
JT: Talvez algumas pessoas recordarão que, anos atrás, o Papa liberou o uso do rito tridentino, ou seja, a Missa em latim precedente ao Concílio Vaticano II. Apostando um pouco, prevejo que o Papa celebrará nos próximos anos uma Missa tridentina em uma das maiores basílicas de Roma. Algo que não influenciará certamente a maioria dos católicos, enquanto um impacto certo, pelo menos quanto aos católicos anglófonos, terá a nova e mais tradicional tradução do Missal romano. O Papa recebeu quarta-feira a primeira cópia, que deverá ser publicada no próximo ano.
CG: Em breve, o Papa deveria criar um novo organismo vaticano: o Pontifício Conselho para a Nova Evangelização. A sua tarefa será promover uma renovação da fé nos países ocidentais que, segundo o Papa, estão vivendo uma erosão dos valores cristãos. O aspecto interessante aqui é que quando foi eleito, muitos pensavam que redimensionaria a Cúria Romana. Ao invés, a está expandindo.
JT: Vamos falar das viagens. É evidente que o Papa não está diminuindo o ritmo. Em 2010, visitará ainda Portugal, Chipre, Grã-Bretanha e Espanha. E para onde irá depois? Antes de tudo, certamente participará do Dia Mundial da Juventude em Madri, em 2011, e irá à Irlanda em 2012 para o Congresso Eucarístico Internacional. Tento outra previsão e digo que, em 2012, o Papa irá a Cuba, onde está sendo organizada uma grande celebração eclesial. Creio que o Papa vai querer participar. Carol, outro dia você fez a hipótese de uma viagem a Moscou no futuro do Papa.
CG: Não ponho minha mão no fogo, mas sim: creio que Bento XVI seja o Papa justo. Já construiu pontes com o mundo ortodoxo russo e eles nutrem por ele um profundo respeito. Portanto, não ficaria surpresa se recebesse um convite nos próximos cinco anos. Além disso, este ano provavelmente o Papa nomeará cardeais alguns bispos norte-americanos. Na lista dos candidatos, figuram o Arcebispo Raymond Burke, que guia a Corte Suprema vaticana, e o Arcebispo Timothy Dolan de Nova Iorque.
JT: Uma coisa que muitos não pensam é que, nos próximos cinco anos, Bento XVI terá a oportunidade de nomear pelo menos 62 novos purpurados, ou seja, mais da metade dos membros do Colégio que um dia elegerá o seu sucessor. Sou John Thavis.
CG: E eu sou Carol Glatz, de Catholic News Service.
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